O menino ia crescendo e, como ele, o monte fazendo com que aquela pedra, ganhasse outras, sobrepostas. Estas, já, eram variadas, algumas arredondadas, algumas escuras, outras avermelhadas, outras pontiagudas, cortantes, pesadas... As pessoas arregalavam os olhos tamanho o monte carregado por seus braços, batiam, palmas, se exibiam ao lado dele e iam, sem ajudá-lo...
O menino virou garoto e, com o tempo, algo estranho aconteceu, os outros, acostumados, colocavam sobre o monte do garoto mais e mais pedras. Diziam: "Ora, mas ele é tão bom com seu monte que não se importará em carregar mais esta..." e nas festividades chamavam-o e pediam para se exibir meio aos familiares...
Conheceu mais, como ele, que carregavam suas pedras, seus montes, variados, cada qual com seu significado, cada um, inquieto, aos presságios de seus montes ruirem...
Conheceu-os, sim, mas continuou solitário, como todos, seu monte já era pesado demais para ajudar aos outros, suas pernas doiam o bastante, seus joelhos sangravam e ninguém se importava... era apenas uma atração, um membro efetivo do circo dos horrores, do fantástico mundo das anomalias...
E o garoto virou jovem... suas últimas pedras foram postas pela sociedade sobre seus braços finos, sua musculatura frágil, suas costas curvadas, seus braços cansados e a testa enrugada (preocupada, pelo tempo, em não derrubar o monte). Só tinha o intuito de, como todo garoto ou garota que carrega pedras, continuar carregando seu monte, quieto, até se livrar dele...
Ele encontrou mais garotos e garotas como ele, como em todos os dias, muitos preocupados com seus próprios montes, só que alguns compartilharam o monte, trocaram pedras como se fossem figurinhas de um álbum, algumas grandes, outras pequenas, ainda que ciscos, ou areia. Alguns ficaram, outros partiram... mas o menino que começou com somente uma pedra, acabava sempre sozinho...
Foi quando ele se cansou... resolveu, para o espanto de sua família e seus amigos, derrubar algumas pedras. Não todas, aquelas menos importantes, mas dessas, uma importante se soltou... Do seu vacilo se arrependeu depois, olhou para trás e viu que o problemas não era tão grande e que tinha preocupações maiores com as outras pedras, e tinhas pefras maiores para se livrar ou escorar e continuou andando, dia após dia, com seu monte... sozinho...






Nenhum comentário:
Postar um comentário