segunda-feira, março 29, 2004

Romance noir
Skank

Fim de semana, fim de tarde
Eu mexo o gelo do copo com o dedo
Melhor sozinho, até porque
A solidão é uma velha amiga

As persianas clichezadas
Não filtram a poeira dourada
Esse escritório às vezes dá a impressão
De pardieiro suspeito

A sombra entra lentamente
Enquanto o trânsito escoa distante
Não sei por que ela insiste...
Mas não, não vou pensar nisso agora

Como também não vou pensar
Que o amor tem seus próprios fios
A chuva desce com trovões
E da janela observo a fiação

Longa avenida, eu sei,
Mas eu preciso encontrar
Outra saída, eu sei,
Pra esse romance noir
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