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domingo, julho 22, 2012

O Analfabeto Político
Berthold Brecht


O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

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PS: Este texto me lembra muito uma aula de leitura, no Jairo Ramos, quando a professora Eliete leu este texto e discutimos. Isso deve fazer uns 20 anos.
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domingo, junho 05, 2011

Costeletas de porco fritas glaçadas
Receita num domingo frio...

Minha irmã ligou, pedindo pra eu escolher alguma receita e passar as coisas pra ela comprar e fazermos. Rapidamente peguei o livro do Jamie Oliver - Revolução na Cozinha (O que estava mais a vista) e escolhi alguma receita que tivesse menos coisas pra comprar, a qual transcrevo aqui com as devidas alterações e comentários.

Quando minha irmã chegou, resolvi colocar o laptop sobre a mesa da cozinha e fazermos uma Twitcam com a receita, que coloco aqui para verem a bagunça que fizemos.

Costeletas de porco fritas glaçadas*

Rendimento
Para 02 pessoas. Problema: estaríamos em 04 pessoas, então as quantidades foram aumentadas.

REGRA DE OURO DA COZINHA Nº 01: Sempre que precisar aumentar as quantidades, esqueça as quantidades que precisar aumentar!

Ingredientes

  • 02 Costeletas de porco (200 g cada), de preferência orgânicas ou caipiras; Problema: aumentamos a quantidade, além disso o livro é americano/europeu, não se encontra costeletas de porco orgânicas num PaísTerceiromundistaAbençoadoPorDeusEBonitoPorNatureza hipermercado comum! Compramos uma bandeja de costeletas de porco (~ 01 kg).
  • Óleo de oliva; (SIM! Serve Azeite! ¬¬)
  • Sal marinho (WTF!? Pode ser Cisne mesmo?!) e Pimenta-do-reino moída na hora;
  • 04 Ramos de sálvia fresca; Problema: Minha irmã CozinheiraDePrimeriaViagem não sabia o que era o diabo da sálvia, muito menos eu acho que não encontraríamos ela fresca num hipermercado. Optamos por uma mistura manjericão e salsa com muito azeite!
  • 01 Limão-siciliano (Opcional); (Vai por mim! É essencial!)
  • Purê de maçã, Chutney de manga (?), geléia de damasco ou mel (Para Glaçar). (Optamos pela geléia de damasco!)


Modo de preparo

Pré-cozimento:
Com uma faca bem afiada, apare a pele das extremidades das costeletas - as aparas vão virar torresmos. Divida cada tira de pele ao comprido, de modo que resultarão em quatro tiras. Problema: Compramos as costeletas já cortadas e sem pele!

Use uma faca afiada para fazer cortes a cada 1 cm ao longo da capa de gordura que permanecer nas costeletas, para ajudar a derretê-la e crestá-la na hora do cozimento.

Esfregue os dois lados das costeletas com óleo de oliva e tempere bem com sal e pimenta-do-reino. Tempere também as tiras de pele. Problema: Como elas já vieram cortadas optamos por um método alternativo, colocando-as em uma assadeira, regando com azeite, sal e limão e deixando um tempo (Enquanto o arroz não ficava pronto e a batata do purê não cozinhava.) para pegar o gosto.

Destaque as folhas de sálvia dos ramos (Usamos manjericão e salsa!), misture-as com um pouco de óleo de oliva e reserve.

Para cozinhar:
Coloque uma frigideira em fogo alto e adicione as tiras de pele. Mexa-as e retire quando estiverem douradas e crocantes. (Sem esta gordice!)

Acomode as duas costeletas na frigideira e frite cada lado por 4-5 minutos, virando a cada minuto.

Quando as costeletas estiverem douradas, adicione algumas folhas de sálvia à frigideira. Deixe que fritem por cerca de 30 segundos, depois transfira-as para um prato. adicione o azeite com manjericão e salsa.

Coloque 01 colher (sopa) cheia de purê de maçã (ou outro ingrediente para glaçar) sobre a costeleta (Coloque 01 colher de sopa cheia de geléia de damasco para cada pedaço de costeleta.). Continue virando-as para que fiquem completamente cobertas.

Cozinhe (Em fogo BAIXO!) até formar uma casca maravilhosamente espessa, viscosa e com uma coloração avermelhada.

Transfira as costeletas para um prato e deixe que descansem por 1 ou 2 minutos, espremendo um pouco de suco de limão se quiser suavizar o doce. (DISPENSÁVEL se você estiver morto de fome e salivando só de fazer a receita!)

Para servir

O @JamieOliver sugere servir as "costeletas em um prato, com os torresmos e as folhas crocantes de sálvia", ficando "adorável" com vegetais, uma salada fresca, arroz branco ou purê de batatas.

Nós, já, colocamos as costeletas numa travessa, com o molho (Gostoso!) por cima, arroz branco e purê de batatas com bastante queijo parmesão.

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*Glaçar - Explicação
Ato de espalhar o glacê sobre os doces ou pincelar geléia ou outros ingredientes, como ovo batido, leite ou mel, para umedecer ou sobre os alimentos para dar-lhe aparência lustrosa e brilhante. (Sabe como chegam as costelas do Outback, brilhantes? Então, igual!)

Até.
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sexta-feira, setembro 24, 2010

Pra você que gosta de Hilda Hilst...

Então você viu (Ou baixou, não é? ¬¬) "Do começo ao fim" e jogou no Google algumas palavras na intenção de encontrar aquele poema de Hilda Hilst lido pela personagem Francisco?

Sinto muito, queridão! Você deve ter encontrado um post meu, mas aqui você não vai encontrar nada mais além do que algumas linhas dele... Sugiro, mesmo, que você compre o Livro para uma degustação mais integral da obra!

Mas isso me fez pensar o quanto o poder de um filme de sacanagem pode influenciar as pessoas na leitura! Se não fosse os filmes, J. R. R. Tolkien (Não confunda com J. K. Rowling!) ainda seria cult (Ou uma coisa de nerds RPGistas-Matadores-Satânicos!); Marley e Eu não faria você chorar tanto no cinema e pagar mico com o nariz vermelho e a cara inchada ficaria algumas boas semanas na lista de mais vendidos da Veja (Grande coisa!); ou ainda não tornaria a série Merda! Crepúsculo o Best-Seller das Balzaquianas (Não sabe o que quer dizer? ¬¬ Ok! Clica Aqui!).

Não podemos tirar o mérito disso. Por exemplo Tolkien! Quem em sã consciência leria a chata primeira parte da trilogia do Senhor dos Anéis (Não é um livro de Sacanagem!)? Até acho que é uma boa pergunta para Testes Psicológicos:

- Bom dia, Sr. Luís, você está concorrendo a vaga de Atendente de Vendas?

- Bom dia, sim. Trabalhei anteriormente como gerente geral de vendas e ...

- Não é necessário descrever sua experiência profissional para mim, sou apenas um avaliador psicológico.

- Psicológico?

- Só cumpro minha função, baseado nas mais modernas técnicas do mercado em avaliação de candidatos à vaga... Mas, me diga, você gosta de ler?

- Sim, leio a Veja sempre...

- H-Hum... ¬¬ Sério? E o que mais gosta de ler? Digo, qual o último livro que leu?

- Ah! Eu lí o Menino do Pijama Listrado...

- Gostou?

- Sim... muito! Bem melhor que o Filme!

- ¬¬ Alguma vez você leu O Senhor dos Anéis?

- Sim! Muito bom, mas eu prefiro o filme!

- Ok, Sr. Luís, nós ligaremos para o senhor assim que soubermos do resultado.

Ah! Ia esquecendo de citar O Menino de Pijama Listrado, O Caçador de Pipas, Crônicas de Nárnia, a série do Phillip Pullman e tantos outros (Uma pena mesmo é terem feito uma adaptação tão ruim do Eragon! FDP de Christopher Paolini! Quando vai lançar o quarto livro? Vagabundo! ¬¬ )! Isso também poderia ser utilizado nas primeiras séries do Ensino Fundamental para incentivar a leitura e, assim, os jovens não pegariam raiva se sentiriam obrigados a ler algo "massante" quando forem estudar literatura Ibérica e Brasileira (Sei que depende muito do professor, também, não precisa me dizer! ¬¬ ).

Só digo uma coisa... PELO AMOR NÃO FAÇAM FILMES DO ARTEMIS FOWL! (PQP! Tem até no espaço esta droga!) Tenham uma boa leitura! ;)

Ah! E para os senhores que gostam de Hilda Hilst, que tal pegar outro escritor, como Carlos Drummond de Andrade e o seu O Amor Natural? Assim mudando para outros gêneros, autores e países!

Até.
PS: Pensou que eu iria dizer Nelson Rodrigues? ¬¬ Só na Globo - Plim Plim!!!
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terça-feira, dezembro 08, 2009

Hilda Hilst

Enquanto meu post sobre o cinema e "Do começo ao fim" não chega ao final (Sacou o trocadilho?) coloco a única coisa que valia no texto do filme e que é um texto da Hilda Hilst. Em suma, não é um texto do roteirista e sim algo encaixado para a cena.

(...) Chama-se Alberto. Chamo-o de Albert à cause do meu querido Camus. O único. É belo igual a ele. (...) Mas falemos agora de uma evidência perturbadora para a caterva e tão genuína e transparente para mim: como os machos se amam uns aos outros! Por que fazem desse fato tamanho mistério e sofrimento? Perdoa-me, Cordélia, mas a não ser tu, minha irmã e tão bela, não tive um nítido e premente desejo por mulher alguma. Mas sempre gosto de ser chupado. Então às vezes seduzo algumas de beiçolinha revirada. Mas o falo na rosa, nas mulheres, só in extremis. (...) Gosto de corpos duros, esguios, de nádegas iguais àqueles gomos ainda verdes, grudados tenazmente à sua envoltura. (...) Gosto de cu de homem, cus viris, uns pêlos negros ou aloirados à volta, um contrair-se, um fechar-se cheio de opinião. E as mulheres com seus gemidos e suas falações e grandes cus vermelhuscos não me atraem. (...) Bunda de mulher deve dar bons bifes no caso de desastre na neve. (...) Quanto a Albert. Tem 16. É mecânico. Não faças essa cara e não rias. Se tu o visses, teus grandes e pequenos lábios intumesceriam de prazer, assim como intumesciam sob os meus dedos quando eu os tocava fingindo esmigalhar as polpinhas rosadas. (...)

Cartas de um Sedutor, Hilda Hilst

Vou tentar terminar o post... Até.

Fred.
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PS: Conheci a literatura da Hilda pouco antes dela falecer. Na época em que ela faleceu a Cultura fez um especial e acabei me apaixonando pela literatura "boca suja" dela. Fica a dica!
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quarta-feira, dezembro 02, 2009

Necessidades Sexuais
Luís Fernando Veríssimo

Nunca tinha entendido por que as necessidades sexuais dos homens e das mulheres são tão diferentes. Nunca tinha entendido tudo isso de Marte e Vênus. Eu nunca tinha entendido por que os homens pensam com a cabeça e as mulheres com o coração.
Uma noite, semana passada, minha mulher e eu estávamos indo para a cama. Bom, começamos a ficar à vontade, fazer carinhos, e nesse momento, ela fala:

- Acho que agora não quero, só quero que você me abrace.

Eu falei:

- O QUEEEEEÊ??????

Ela falou:

- Você não sabe se conectar com as minhas necessidades emocionais como mulher.

Comecei a pensar onde podia ter falhado. No final, assumi que naquela noite não ia rolar nada, virei e dormi.

No dia seguinte fomos a um grande hipermercado, do tipo Makro, com muitas lojas dentro dele. Dei uma volta enquanto ela experimentava três modelitos caríssimos. Como não podia decidir por um ou outro, falei para comprar os três. Então ela me falou que precisava de uns sapatos que combinassem, a R$ 200,00 cada par. Respondi que tudo bem.

Depois fomos à seção de joalheria, de onde saiu com uns brincos de diamantes. Estava tão emocionada! Deveria estar pensando que fiquei louco, agora penso que estava me testando quando pediu também uma raquete de tênis, porque nem tênis ela joga.

Acredito que acabei com seus esquemas e paradigmas quando falei que sim. Ela estava quase excitada sexualmente depois de tudo isso. Vocês tinham que ver a carinha dela, toda feliz!

Quando ela falou:

- Vamos passar no caixa para pagar?

Tive dificuldade para me segurar ao falar com ela:

- Não, meu bem, acho que agora não quero comprar tudo isso.

Ela ficou pálida. Ainda falei:

- Só quero que você me abrace.

No momento em que começou a ficar com cara de querer me matar, falei:

- Você não sabe se conectar com as minhas necessidades financeiras como homem…

Acredito que o sexo acabou para mim até o Natal de 2010



______________________
PS: Tirei do blog da Fran.
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quinta-feira, outubro 15, 2009

Vida
Augusto Branco

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!

Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" para ser insignificante.

++++++++++++

Ok... Ok... Minha irmã postou isso no blog dela. A autoria é atribuída ao Chalie Chaplin, mas pesquisando achei referências dizendo que é do Augusto Branco.
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sábado, agosto 30, 2008

UMA MANEIRA DE COMPREENDER O SIGNIFICADO DA PAZ PROFUNDA



Havia um Rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar em uma pintura a Paz Profunda.

Muitos artistas apresentaram suas telas.

O Rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve de escolher entre ambas.

A primeira era um lago muito tranqüilo. Este lago era um espelho perfeito onde se refletiam plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um Paraíso muito azul com tênues nuvens brancas.

Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela refletia a Paz Profunda.

A segunda pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um Paraíso tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com relâmpagos e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico.

Mas, quando o Rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali, em meio ao ruído da violenta turbulência da água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho... Em Profunda Paz!

O Rei escolheu a segunda tela e explicou: — PAZ PROFUNDA não significa estar em um lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo para realizar ou livre das dores e das tentações da encarnação. PAZ PROFUNDA significa que, apesar de se estar em meio a tudo isso, permanecemos calmos e confiantes no SANTUÁRIO SAGRADO do NOSSO CORAÇÃO. Lá encontraremos a Verdadeira PAZ PROFUNDA. Em SILENCIOSA MEDITAÇÃO.


Tenha um fantástico fds. Um grande abraço.
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sábado, agosto 23, 2008

[Veríssimo]



Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

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Luís Fernando Veríssimo
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domingo, julho 20, 2008

ENTRE AMIGOS
Retirado de um canto escuro e empoeirado da net

Para que serve um amigo?
( ) Para rachar a gasolina;
( ) emprestar a prancha;
( ) recomendar um disco;
( ) dar carona pra festa;
( ) passar cola;
( ) caminhar no shopping;
( ) segurar a barra.

Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu último livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar.

Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.



Verdade verdadeira. Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo construído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos...

Um amigo não racha apenas a gasolina. Racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão,
segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Duas dúzias de amigos assim, ninguém tem.
Se tiver um, amém.


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sexta-feira, julho 18, 2008

Vai alta no céu a lua da Primavera
Alberto Caeiro
(Fernando Pessoa)


Vai alta no céu a lua da Primavera
Penso em ti e dentro de mim estou completo.

Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.

Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,
E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,
Isso será uma alegria e uma verdade para mim.



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Olha que Lua Linda!!!

Hum...

Até
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quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Prefiro ser louco,
(Alexandre Fiuza)

Prefiro ter sal,
Prefiro surtar,
A ter que ser normal

Prefiro ser passional,
Prefiro ser poético,
A ter um olhar tão convencional.

Prefiro ser intenso
Prefiro ser estranho
A ter que relegar meus melhores sonhos

Prefiro minhas angustias
Prefiro minha intuição
A ser colocado no molde da razão

Prefiro os traços bem delineados
Do que ser do clube dos alienados
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quarta-feira, agosto 30, 2006

Quero colo!

Imagem tirada de [ http://www.livrododesassossego.blogger.com.br/ ]
Eu quero um colo,
um berço,
Um braço quente entorno ao meu pescoço,
Uma voz que cante baixo,
e pareça querer me fazer chorar.
Eu quero no calor do inverno,
um extravio morno da minha consciência
e depois sem som,
um sono calmo,
um espaço enorme como a lua rodando
entre as estrelas.

["Livro do Desassossego" - Bernardo Soares]

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PS: Imagem tirada de [ http://www.livrododesassossego.blogger.com.br/ ]
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quinta-feira, agosto 17, 2006

[entre-meios, entre-tudos]



noites sem espinhos
manhãs cheias de sangue
a pele se rasgou
laceada, lanceada, sua lança
lancei-me da ponte para cair em pedras
entre-meios
entre-tudos
entre a sorte de buscar pela morte em um copo vazio
do meu corpo vazio
nem suor sai mais
lágrimas, secas
feitas do puro pó
descamada
sem ter a cama como consolo
sem ter o sangue para beber
sem ter meios, sem ter tudo

- Cristiano Ricardo
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sexta-feira, julho 28, 2006

me conte seu segredo

me conte seu segredo
que eu não posso te falar

me sobre a vida
que perdi
e não encontrei a morte

me conte seu segredo
que não pode mais falar

vida perdida
vida bandida
largada
cortada a foice
costume de ser infeliz

perder
conter
largar
abandonar

sem sentido
pra outra direção

me conte um segredo
que eu possa imaginar
deixando os espaço
fechando o caroço
cortando o bolo
e partindo a carne

me conte seu segredo
para que eu possa hoje voltar.


- Cristiano Ricardo
(03/05/2005)
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sexta-feira, junho 16, 2006

Soneto De Separação
Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente


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domingo, novembro 20, 2005

Assombração
Heloisa Seixas

Clara deu uma risada nervosa quando ouviu a insistência de Clarice ao telefone:

- Eles fazem questão de que você vá. Querem que você conheça o sítio mal-assombrado.

- Mas... você tem certeza de que vai ter lugar para todo mundo? - indagou. Sabia que Clarice iria com os dois filhos. Ela mesma teria de levar seu menino, pois o ex-marido estaria viajando no fim de semana. Contando com os donos do sítio e mais um casal convidado, que ia com o filho adolescente, seriam ao todo dez pessoas. - Talvez fosse melhor nós irmos num fim de semana em que eles não tenham outros convidados - argumentou.

- Não seja boba, Clara. Tem lugar, sim. Senão eles não teriam insistido tanto. Não adianta vir com desculpas. O que há? Está com medo?

- Claro que não! Você sabe muito bem que eu não acredito nessas coisas - retrucou.

Não, não era medo. Sentia uma inquietação. Sim, estava inquieta, tinha de admitir. Como se pressentisse a aproximação de um perigo. Mas sabia que isso era uma bobagem. O que poderia haver, afinal? Seu filho, Pedro, de sete anos, estava louco para ir. E ela própria ficara curiosa com as histórias de fantasmas.

Vinha ouvindo as tais histórias havia meses, desde que conhecera Clarice. Os olhos castanhos da amiga brilhavam de excitação quando ela as contava.

Clarice. Era engraçado pensar que só a conhecia havia... quantos meses? Junho, julho, agosto, setembro. Quatro. Só quatro meses. Sentia como se fossem amigas de infância. As crianças também. Pedro e os dois meninos se entendiam e desentendiam como irmãos. E de certa forma o eram. Pelo menos Pedro e Paulo. Os dois, o filho de Clara e o filho mais novo de Clarice, haviam nascido na mesma época, com uma diferença de apenas dois dias. Nada demais, não fosse por um detalhe, descoberto por acaso: um dia em que Clarice aparecera com a certidão de nascimento de Paulo, as duas viram, com grande surpresa, que o nome da testemunha no documento era do ex-marido de Clara, pai de Pedrinho. Como é de praxe em cartórios, os pais que estão na fila do registro assinam como testemunhas uns dos outros. A coincidência engraçada era que os ex-maridos de Clara e Clarice tivessem ido ao mesmo cartório, no mesmo dia e na mesma hora para registrar os filhos, sete anos antes de elas duas se conhecerem.

Clara sorri, lembrando-se do espanto de Clarice ao fazer a descoberta. Sempre tão engraçada, tão alegre, Clarice prendia a atenção de todos onde chegava. Era uma mulher bonita, de cabelos. muito negros, pele morena aveludada como a superfície de um pêssego, olhos de um castanho líquido que pareciam a todo momento umedecer seus longos cHios. Uma pessoa tão doce... Pena que se metesse em tantas loucuras. A própria Clarice lhe contava suas aventuras, suas noites de bebedeiras e drogas, a sucessão interminável de namorados, como se quisesse se vingar dos dez anos de casamento que tanto a haviam atormentado. Errava pelos bares à noite em companhia de pessoas que pareciam dispostas apenas a sugá-la, aproveitando-se de sua bondade, gravitando em torno dela como vampiros sedentos. Bebia demais e quanto mais se misturava àquela gente mais compulsiva se tornava. Drogava-se com freqüência, às vezes mesmo subindo morros com os companheiros de noitada, em busca de droga. Clara temia por ela, pelas crianças. Procurava dar-lhe conselhos, mas de nada adiantava. Havia nela, naquela mulher tão delicada, uma poderosa sede de autodestruição, que a subjugava. O tal casal dono do sítio mal-assombrado era talvez um dos poucos de seu círculo de amigos, além da própria Clara, que não vivia metido em loucuras.

O sítio. O sítio mal-assombrado. Ia afinal conhecê-lo. Clarice falava tanto nele... Clara não podia negar que estava curiosa. Outro dia, num jantar em casa de amigos comuns, o sítio mal-assombrado fora o assunto da noite. Clara lembrava-se bem. Todos falavam com naturalidade dos fantasmas, parecendo mesmo divertir-se com a situação. Ninguém tinha medo. Clara tampouco. Na verdade ouvia aquilo com grande dose de incredulidade. Mas sentira uma sensação desagradável ao ouvir dos donos do sítio a explicação para tanta assombração: segundo eles, o antigo dono do lugar se suicidara lá, enforcando-se junto a uma bela cachoeira existente dentro da propriedade.

Clara arrepiara-se ao ouvir aquilo. Tinha horror a enforcamentos. Desde muito pequena, quando ouvia na escola as histórias de Tiradentes, fixava na professora os olhinhos muito abertos, sentindo um nó na garganta, como se uma invisível corda ali lhe apertasse. Perguntara ao casal como eles tinham ficado sabendo daquilo. Por intermédio dos próprios herdeiros, de quem haviam comprado a propriedade, disseram. Clara engolira em seco.

Eram muitas, as histórias. Todos ou quase todos os amigos do casal que já haviam passado dias no sítio tinham um caso para contar. Um rapaz, de nome Caio, relatara que certa vez vira uma mulher agachada chorando num canto da sala. Ia passando distraído quando dera com ela. Voltara-se para olhar uma segunda vez, a fim de se certificar do que estava vendo, e ela já havia desaparecido. Alguém perguntou se ele não tinha bebido muito naquela noite e ele teve de admitir que sim. Todos riram.

Outra amiga relatara sua experiência, dizendo ter acordado no meio da noite com um infernal barulho de pratos e panelas na cozinha. Como muitas pessoas estavam hospedadas no sítio naquele fim de semana, levantara-se furiosa pensando em reclamar com a turma que fazia o barulhento lanche da madrugada - e ao chegar ao fim do corredor se deparara com a cozinha silenciosa e vazia.

Havia também o caso do suspiro. Este se dera com Pablito, rapaz solteiro e mulherengo que era velho freqüentador dos fins de semana assombrados. Na ocasião, ainda se vangloriava de ser um dos poucos que jamais tinham visto uma alma penada na casa. Certa noite, já estava deitado sozinho no quarto, com as luzes apagadas, quando ouvira, a seu lado na cama de casal, um suspiro. Um suspiro profundo e sentido, um suspiro de mulher. Logo imaginara que alguma das moças hospedadas na casa fora refugiar-se a seu lado. Levantara-se, intrigado. Fora, às apalpadelas, até a parede junto à porta em busca do interruptor, já que o abajur estava sem lâmpada. Acendera a luz. A cama estava vazia. E no mesmo instante ele se lembrara, sentindo-se gelar da cabeça aos pés, de que havia trancado a porta por dentro antes de se deitar. Desde então nunca mais duvidara das histórias de assombração.

Clara ouvira aquelas histórias com curiosidade mas, por um motivo ou por outro, fora adiando a ida ao sítio. Agora, ao que parecia, chegara a hora. Tempo de enfrentar os fantasmas, pensou, com um sorriso de incredulidade. Dali a três dias.



Já lhe tinham dito que o sítio era um local belíssimo, encravado num vale em meio a montanhas, mas Clara se surpreendeu. Que lugar! Assim que os carros deixaram a Rio-Petrópolis, tomando à direita um caminhozinho de terra, todo esburacado, ela sentiu como se penetrassem um mundo intocado pelo homem. O caminho de terra, que só dava passagem para um carro de cada vez, cortava a mata fechada, com cipós pendurados. Nas margens, tapetes de marias-sem-vergonha e no ar um cheiro penetrante de folhas apodrecidas.

Era úmido ali. A mata quase se fechava sobre a estradinha e, como ainda havia muita névoa, o caminho se tornava mais sombrio. Fazia frio, muito frio. Fecharam as janelas. Vidros embaçados, mal se enxergava o caminho à frente e os três carros seguiam devagar, pelo chão de barro escorregadio. Risadas nervosas cortavam o silêncio.

De repente, Clara viu surgir o vale à sua frente, deslumbrante. Era um descampado cheio de sol, cercado de montanhas sombrias por todos os lados. A trilha úmida terminava de repente, desembocando em toda aquela luminosidade que quase cegou.

Saltaram. A casa, daquelas antigas, com varandões em arco e janelas pintadas de azul colonial, ficava a um canto, junto a um imenso flamboyant. À frente, estendia-se o gramado, salpicado por troncos com bromélias e alguns arbustos. Era um vale descarnado em meio às montanhas cobertas por mata fechada, num lindo contraste.

- Não parece uma casa mal-assombrada - comentou Clara.

Clarice sorriu, sem nada dizer. E a amiga do casal, mãe do adolescente, dando de ombros:

- De noite é que vamos saber.


A primeira coisa que fizeram, depois de deixar a bagagem nos quartos, foi sair para conhecer a cachoeira, o lugar mais bonito do sítio, pelo que todos diziam.

Do lado esquerdo da casa, havia uma pequena trilha na mata que levava até lá. Um caminho menos sombreado do que a estrada de carro. Ali, a luminosidade penetrava pelo trançado das folhas. Junto à trilha, grandes touceiras de colônias, lírios e xaxins formavam a vegetação.

À medida que caminhavam, Clara sentia como se a mata os envolvesse, com seus cheiros de flores e terra úmida, seus murmúrios e zumbidos que se fundiam em uníssono, como uma respiração. Caminharam assim durante algum tempo, até que começaram a ouvir o som das águas. Chegavam ao fim da trilha. A pequena clareira, ornada pelas pedras do regato, foi o ponto onde todos pararam, hipnotizados pela beleza do lugar. A cachoeira era um santuário. Um fio d'água se despejando sobre um laguinho verde-escuro, pequeno e gelado, como um cenário de cinema. Era tudo tão perfeito, tão harmônico e bonito, que o primeiro pensamento de Clara foi que era difícil entender como alguém podia se matar num lugar assim. Arrepiou-se ao pensar nisso.

Ficou por um tempo sentada sobre uma pedra limosa, olhando toda aquela beleza. Depois tomou coragem e mergulhou na água cor de esmeralda. Tão gelada que sentiu vontade de rir e chorar. Começou a nadar para se aquecer. Nadou em direção à queda-d'água. Quando já sentia os respingos gelados sobre sua cabeça, parou de nadar e olhou para cima. A água parecia fumaça de gelo seco. E os respingos que lhe caíam no rosto produziam uma sensação de choque na pele. Ficou assim por uns segundos, tentando manter os olhos abertos apesar da água que caía com força.

Foi quando sentiu a tontura. Uma tontura tão forte que precisou se segurar na parede de pedra para não afundar. Agarrou-se a ela, respirando fundo, os olhos arregalados, com a sensação de que ia desmaiar. Procurou acalmar-se. Sabia que não havia perigo, já estava passando. E depois todos estavam ali, nada de mal lhe poderia acontecer. Com o coração batendo forte, nadou de volta para a parte rasa.

Chegou ofegante.

- Está fora de forma, hein? - brincou alguém.

Clara deu um sorriso sem graça:

- Foi o frio.


Quando a água ia ficando cada vez mais gelada e as crianças já começavam a reclamar de fome, decidiram que era hora de voltar. Tomaram outra vez a trilha estreita, um atrás do outro, por entre as árvores. Clarice ia bem à frente de Clara, sempre brigando com o filho, Paulo, que ameaçava embrenhar-se no mato a cada instante.

De repente Clara sentiu o cheiro. Um cheiro doce e inconfundível de caju. Caju maduro, já meio pisado, quando dele escorre líquido, fazendo juntar mosquitos. Cheiro forte e gostoso, quente, que destoava da paisagem fria da montanha.

- Que engraçado... que cheiro de caju! - disse para Clarice, à sua frente.

Ouviu com nitidez a resposta dela, embora Clarice não chegasse a se virar para trás.

- É ele. Ele gostava muito de cajus.

Clara bateu no ombro da amiga.

- Ele quem?

Clarice virou-se e olhou para ela.

- O quê?

- De quem você estava falando? - insistiu Clara.

Clarice franziu a testa, com ar debochado.

- Ficou maluca, é? Do que você está falando?

- Eu estava falando sobre o cheiro de caju. E você respondeu alguma coisa sobre alguém que gosta de cajus...

Clarice olhou para ela, espantada.

- Eu? Eu não abri a boca! - disse.

E depois de uma pausa:

- ... e além do mais com o frio que faz nestas montanhas, não sei como você pode estar sentindo cheiro de caju. Um pé de caju aqui morreria congelado...


A noite chegou muito fria, mas nada assombrada. Clara sorriu ao pensar nisto. Estivera inquieta todo o dia, por causa dos acontecimentos estranhos na cachoeira, mas já quase se recuperara. A tonteira, claro, fora conseqüência do frio. Ou estômago vazio, talvez. E o comentário de Clarice... bem, com certeza se enganara, ouvira errado. Ou talvez fosse molecagem de Clarice, para testar seu medo. Sorriu. Respirou fundo. Precisava livrar-se daquele aperto no peito. O lugar era tão bonito, tudo tão agradável. Não havia razão para se sentir inquieta.

Assim que a noite caiu completamente, todos foram até a varanda olhar o céu. Um céu de planetário. Fundo negro e estrelas, estrelas, estrelas, como só é possível ver num lugar assim. E em torno das montanhas, suas sombras imensas, silenciosas. Nenhum ponto de luz na mata, nada. Nenhum vestígio do ser humano.

Depois do jantar, aquecidos por vários copos de vinho tinto, foram todos lá para fora. As crianças também, muito bem agasalhadas, pois o frio era cada vez mais cortante. Iam, por sugestão dos donos da casa, brincar de se pendurar no céu.

Estenderam cobertores no gramado em frente à casa e se deitaram, depois de apagar todas as luzes. A brincadeira consistia no seguinte: cada um devia ficar deitado, de olhos fixos no céu, e tentar imaginar que estava em cima dele, pregado em uma abóbada e vendo o infinito a seus pés. Preso ali na crosta terrestre pela força da gravidade, como no brinquedo rotor dos parques de diversão.

Clara sorria com excitação. Depois de alguns minutos imóvel ali, a sensação começou. Logo já era perfeitamente nítida. Sentia mesmo como se estivesse no alto, pendurada, grudada, com o céu lá embaixo. Era uma sensação deliciosa e surpreendente.

Até as crianças pareciam hipnotizadas pela ilusão da brincadeira. Logo descobriram que quando alguém falava a sensação se perdia. E ficaram em silêncio.

Ouviam apenas os grilos, os murmúrios da mata. Clara estremeceu com o frio, mas esforçou-se para se manter imóvel, sabendo que do contrário quebraria o encanto, perderia a sensação de euforia e domínio, de estar acima do céu, senhora do infinito.

Era impressionante o silêncio. Parecia fechar-se cada vez mais em torno dela, denso, quase palpável. Ouvia os zumbidos da mata mais e mais fortes, de novo como uma respiração, como lhe parecera na cachoeira.

Teve de repente a sensação de estar só ali, apenas ela e as estrelas na noite silenciosa. E ao redor a mata, com seu zumbido que crescia, crescia, como se... a espreitasse. Abriu muito os olhos, assaltada por um medo súbito, a nítida impressão de que ia cair. A vertigem outra vez! Isto não pode acontecer agora, não agora que está ali sozinha, pendurada na crosta da terra. Se não se agarrar com força, vai se desgrudar e despencar no infinito!

- Não!!! - Senta-se, assustada.

Todos se levantam e olham para ela.

- Ah, você estragou a brincadeira! - reclama uma das crianças.

Clara se desculpa.

- Acho que cochilei e tive um pesadelo...


Pouco depois entram. O frio já se tornara insuportável. Comentam a beleza do espetáculo, excitados ainda, como meninos saindo de um circo. Apenas Clara está quieta.

Acendem as luzes a contragosto, com pena de macular com sua presença humana aquela noite primitiva e bela. Depois, sentam-se ao redor da mesa tosca, para jogar buraco. O frio os faz beber sem parar, sorvendo em grandes goles o vinho tinto de garrafão, acre, rascante. As crianças se divertem assando na lareira batatas-doces envoltas em papel laminado, que depois comem com melado, entre gritinhos e sopros.

O tempo passa. O jogo de buraco se arrasta, entre bocejos e esfregar de olhos vermelhos. Logo as crianças começam a cochilar nos sofás ao redor da lareira. No silêncio, ouve-se o crepitar da lenha, enquanto as chamas fazem dançar as sombras projeta das na parede. O velho cuco de madeira faz seu tique-taque seco, em meio ao lento arrastar das correntes que sustentam os pesos do relógio.

Súbito, ouvem passos lá fora.

Passos de alguém correndo em volta da casa, passadas rápidas e pesadas no cimento do passeio que circunda a construção. Entreolham-se, sem nada dizer. Clara franze o rosto. Levanta-se e já se prepara para abrir a por­ ta quando a dona do sítio a retém.

- Aonde você vai?

- Ver quem está lá fora. Quem pode ser, com este frio? - indaga.

- É melhor deixar para lá, Clara. Já ouvimos isto muitas vezes. Procuramos simplesmente não dar importância. É isto. É melhor pensar que não ouvimos nada. E depois, não sei... talvez sejam os cachorros - diz a amiga.

Clara senta-se, sentindo voltar o aperto no peito, na garganta. Cachorros... Tem certeza de que eram passos humanos. Não é possível! Devem estar querendo pregar-lhe alguma peça. Olha em torno. Onde está Clarice? Teria sido ela? Clarice não estava na sala. Fora lá para dentro havia pouco e não mais voltara. Clara anuncia que está cansada, que não tem mais vontade de jogar. Levanta-se outra vez. Vai até o corredor, mas logo se detém. As portas entreabertas lhe revelam a escuridão dos quartos e um frio de medo lhe percorre a espinha. Decide entrar no banheiro, o grande banheiro de azulejos pintados, que fica à esquerda, logo no início do corredor.

Acende a luz. Olha-se no espelho que toma quase toda a parede do banheiro. Chega mais perto, olhando-se. Decide retocar o batom, pois vê que seus lábios estão cada vez mais ressequidos pelo frio. Tira do bolso o batom que traz sempre consigo e começa lentamente a fazer o desenho dos lábios. É quando vê Clarice surgir às suas costas. Sorri para ela através do espelho. Mas Clarice está séria. Tem os olhos avermelhados, olhos de quem bebeu demais. Fica ali alguns segundos, em silêncio junto à porta. Clara a encara com ar interrogativo, o bastão do batom parado no ar.

- Onde você estava?

Silêncio.

- O que houve? - insiste.

Clarice a olha com seus olhos líquidos.

- Você já sabe, não é?

Clara franze o rosto, como quem não compreende.

- Sei o quê?

Clarice sorri e leva aos lábios o copo de vinho que tem nas mãos.

- Sabe, sim - diz. E desaparece na penumbra do corredor.


Clara entra na cozinha em busca de um copo d'água, a boca subitamente seca. Encontra a dona da casa, guardando pratos. Ela percebe a inquietação de Clara e sorri com doçura:

- Você já sabe, não é?

- Já sei o quê? - Clara recua.

- A história dos cajus. Clarice não lhe contou? Ela me disse que lhe contaria.

- Ah... não, ela não me contou - Clara retruca, confusa. - Qual é a história dos... cajus?

- Clarice me falou do cheiro que você sentiu na cachoeira - diz a dona do sítio. - Não é a primeira vez que acontece, sabia? Houve outros casos. Um dia comentei com a neta dele, a que nos vendeu o sítio, e ela me disse que ele tinha verdadeira loucura por cajus. Era sua fruta preferida. Talvez seja por isso que...

- Pra mim chega! - corta Clara, com a voz alterada.

- Estou farta dessas histórias ridículas!

E sai da cozinha, batendo com força a porta atrás de si.


Na divisão dos quartos, Clara havia ficado com Pedro no cômodo ao lado de Clarice, que dormiria com os dois filhos. Só que, na hora de deitar, Pedro preferiu dormir com os outros meninos. E Clara acabou ficando com um quarto só para ela.

Não se importou. Talvez fosse até melhor, pensou, pois assim conseguiria dormir até mais tarde. Já havia recuperado seu bom humor e até pedira desculpas à dona da casa por sua irritação na cozinha. Afinal, tudo aquilo não passava de uma grande bobagem, não havia mesmo razão para se irritar.

Olhou o quarto à sua volta. Era aconchegante. Tinha cortinas de babadinhos feitas em tecido xadrez azul e branco, igual ao forro da cama. Móveis pesados, de madeira escura, assoalho de parquê desenhado, tapete de corda no chão. Sobre a penteadeira, um escovão antigo e um arranjo de flores secas, com pinhões. O abajur também tinha a cúpula quadriculada, mas logo percebeu, desapontada, que não tinha lâmpada.

Vendo a cama de casal, lembrou-se da história. Ouvira quando Pablito, o amigo dos donos do sítio, descrevera o quarto. Com certeza fora ali. Era aquele o quarto. O quarto dos suspiros. Seus olhos examinaram a cama vazia e pousaram nos travesseiros, primeiro um depois o outro, como se procurando adivinhar onde se deitara o fantasma. Mal conteve o riso nervoso ao pensar nisto. Devo ser muito impressionável mesmo, concluiu. Outra vez pensando bobagens. Encolheu os ombros e voltou a concentrar-se no abajur sem lâmpada, em dúvida sobre se valeria a pena ler com a luz de cima e depois ser obrigada a levantar-se para apagá-la. Decidiu afinal que não leria. Estava com tanto sono que não conseguiria ler mais do que duas páginas do livro.

Encostou a porta, apagou a luz e deitou-se. Logo seus olhos acostumaram-se à escuridão e ela percebeu a luminosidade que penetrava pela fresta embaixo da porta. Era a luzinha vermelha que a dona do sítio deixava acesa no corredor, para que as pessoas não se perdessem a caminho do banheiro. Sentiu um doce torpor envolvê-la. Vertigem? Suave vertigem de sonho, enredando-a pouco a pouco, como um novelo de lã, macio e quente.

Bruma, névoa. Vertigem. Suave vertigem de sonho, enredando-a pouco a pouco, como um novelo de lã, macio e quente.

Agora tudo é silêncio. Clara não se move, não pode fazê-lo. É um ser sem vontade própria, envolto pela escuridão que o acolhe. Nada vê. Mas todo seu corpo está à espreita, aguardando, pressentindo. Súbito o silêncio é rompido por um rangido de porta e Clara sente seu corpo ser golpeado pelo sopro do ar frio. Está chegando. Seu coração pára ao perceber a aproximação da presença assombrada. Ouve os passos imateriais, murmúrios, suspiros. Continua imóvel, como se a noite a atasse.

De repente, sente o toque das mãos, primeiro em seu rosto, depois descendo lentamente pelo pescoço, pelos ombros. Nos vapores da noite, o hálito espectral se aproxima, buscando-a. Continua inerte. É um sonho estranho, feito apenas de tato e cheiro. Arrepia-se, estremece. Pensa que é preciso abrir os olhos e encarar a presença assombrada, mas não o faz. Apenas se mantém à espera, imóvel e silenciosa, para que ela a possua, envolvendo-a no ectoplasma daquele amor proibido. Assombração, fantasma, espectro, fino tecido translúcido vindo de outro mundo, emergindo das sombras, para tomá-la. Tremendo de pavor e desejo, Clara se entrega.

Está agora presa na teia mágica de longos fios, cabelos de seda com cheiro de almíscar que a encobrem e rodeiam, formando a doce tenda que abrigará o beijo, afinal. Sim, o beijo. Lábios carnudos e molhados que tocam os seus, primeiro suavemente, depois com mais e mais ardor, molhando, sugando, buscando, explorando-lhe a boca, sorvendo-lhe a língua, bebendo-lhes a saliva com louca paixão.

O beijo vai agora tomando posse de todo seu corpo, sanguessuga que a percorre inteira, vencendo as formas, subjugando a matéria, acendendo-lhe, com seu sopro, imaterial, o fogo do mais louco desejo. Cada parte de seu corpo é uma cidadela que cai ante a fúria daquele beijo úmido e quente, que transforma tudo por onde passa em chama acesa. Seus seios se entregam e, mal são tomados, já seu ventre se arqueia na busca do contato com aqueles lábios que a devoram como animais selvagens. Logo toda ela é uma flor que se abre para revelar seu mais secreto perfume, essência da fenda misteriosa onde o beijo vai penetrar para sorver-lhe a alma. Aroma, néctar, pólen, mágicas poções do amor, todas as delícias que ali se escondem já não são suas, perderam-se na morna mistura de saliva que lhe inundou o ventre, torrente caudalosa que a arrebata, arrastando-a por mares e rios, arrancando as folhas das margens, tomando tudo, tudo dominando, para atirá-la no louco redemoinho do prazer, vertigem que a faz cair no infinito, tendo o céu a seus pés, como se mergulhasse num sonho dentro de um sonho.

Não, não está sonhando. Clara sabe. Sabe que já não precisa fugir, que é tudo real. E no entanto o medo cessou. Já não sente pavor ou inquietação. O cheiro doce do prazer impregnou o ar com suas essências eternas, que através dos séculos encharcam o leito dos amantes.

Clara abre os olhos.

Em meio à penumbra rosada que penetra pela porta entreaberta, ela vê o brilho dos olhos, derramando-se liquefeitos. Olhos vermelhos, como vermelha é a luz que as envolve. Olhos de Clarice. Sim, Clara sabe que não foi um sonho. Sabe que está presa na teia daquele amor de mulher, doce e proibido. Pressentira-o há tempos, lutara contra ele, fingira não vê-lo, mas agora já não pode fugir.

Está frente a frente com sua assombração.
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sábado, novembro 19, 2005

LIVRO!!!



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quarta-feira, novembro 16, 2005

MALVADOS!!!


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sábado, janeiro 17, 2004

Leitura?!

"Mas quem deverá ser o mestre? O escritor ou o leitor?"
Denis Diderot - Jacques, o fatalista, 1796

Você gosta de ler? É daqueles compulsivos que lêem até bula de remédio, cartaz na rua e manual de eletrodoméstico (Ops... Me pegaram!) ... Uma história da Leitura - Alberto Manguel conta a experiência do próprio autor na leitura, algumas situações semelhantes e outras totalmente advérsas às nossas... mas que nos mostram que, apesar de diferentes, somos parecidos em parte.

A oportunidade de ser o único a ver o protagonista se libertar da prisão antes que os guardas notem sua ausência; de viajar pelas linhas dos poemas escritas sobre o papel como ondas na areia da praia; de presenciar o limo do lado sombrio de uma pedra como você nunca vira na realidade; de chorar em tragédias (Não na realidade mas em sua imaginação, em seu íntimo.); de visualizar as guerras mais épicas da história e, até, de comandá-las: "Arqueiros! Cavalos em ordem! Quero todos os cavalos em FILA! Atacar!"... A chance de descobrir o assassino, de retornar páginas e páginas e lê-las novamente só para confirmar as pistas... de sentir em si, como ninguém, a dor da picada da cobra, a queda no deserto e sentir, após abrir os olhos em meio a grama, que o príncipe voltou para casa, e está revolvendo os vulcões, e cuidando de sua rosa (Isso não está escrito mas sei que muitos pensaram...).

Quem nunca fez isso? Lógico que cada qual ao seu modo, como o próprio Manguel diz finalizando uma bela descrição de fotos e obras de arte de diversos tempos e lugares (Todas mostrando leitores.), logo no início de seu livro:

" ...
Todos esses são leitores, e seu gestos, sua arte, o prazer, a responsabilidade e o poder que derivam da leitura, tudo tem muito em comum comigo.
Não estou sozinho.
"

Particularmente sigo uma série de "rituais" quando leio, englobam desde a abertura do livro, ambientação para a leitura e atenção, creio que todos tem algum ritual de leitura e que o repetem a cada livro não importando se, no final, gostaram ou não. É como uma benção para que o livro seja bom, a história seja deliciosa e o tempo ajude, como um viajante...

Até.
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quarta-feira, fevereiro 19, 2003

FELICIDADE REALISTA
Martha Medeiros

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade.

Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar.

É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza,instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.

Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz.

Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
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