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quinta-feira, setembro 02, 2010

Vamos votar, gente?

Quem me conhece sabe que não tenho preferência partidária (Existe este lance de ideologia política no Brasil? Oo), costumo analisar o que os candidatos dizem, o falar e responder perguntas (As embaraçosas são as melhores!), o que pensam, se lêem e escrevem e o histórico do pretendente ao cargo político (Não olho o tempo na política, nem o que fez! Se fosse assim o Maluf seria uma escolha indubitável, por ser "velho de guerra" e ter feito muitas de obras - que oneraram muitos governos póstumos a ele!)... Quem me conhece sabe que, se não sinto confiança em nenhum candidato, voto nulo e faço campanha pelo voto nulo (69 na cabeça!).

E deve ser por isso (Ou, talvez, por eu ser um dos poucos que tem curiosidade para acompanhar o que fazem na minha cidade, estado, país e subcontinente, etc.) que todo mundo acaba me perguntando em quem eu vou votar ou pedindo para eu comentar sobre alguma decisão "maluca" de nossos "queridos" governantes.

Claro! Eu pergunto se querem realmente saber minha opinião (Já teve gente que nem pra fingir ouvir, enquanto eu falava, prestou! Dá pra saber o tipo de voto de direita esta pessoa deu!?) e digo o que penso sobre o assunto.

Não vou me pronunciar sobre a campanha presidencial pois todos já me perguntaram sobre isso, contudo fiquei curioso por algumas propostas apresentadas pelos candidatos a governador e resolvi pesquisar o programa de governo de todos (Não, Não Vou emitir minha opinião!).

Seria uma boa vocês pegarem a tarde de domingo, desligarem a televisão e darem uma lida no que dizem e querem os candidatos do seu estado, aproveitem o feriado da Independência da TV e leiam o Programa de Governo deles! Faz bem pra cabeça e consciência!

Segue, em ordem alfabética, os links para propostas dos candidatos a Governo do Estado de São Paulo:

Aloizio Mercadante

Celso Russomano

Fabio Feldmann (PDF)

Geraldo Alckmin (PDF)

Paulo Bufalo

Paulo Skaf (Somente canal de Youtube!? ¬¬)

Até.
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sábado, agosto 07, 2010

Trincas nas paredes...
Um pouco revoltado!

Estou aqui, num café, sozinho, com um pouco de frio e enquanto espero meu pedido chegar observo ao redor...

Na verdade, por haver tremores, ficamos um pouco procurando ou querendo crer que cada trinca no reboco fora causada pelo terremoto de março. Erro nosso! Se nós "abençoados por deus e bonitos por natureza" temos milhões de construções com trincas (quando não são construidas com areia de praia, ou com fundações pouco profundas ou, então, encontram surpresas geológicas!)! Minha casa mesmo, o asfalto da rua em que moro a 30 anos, a casa do vizinho da frente, a igreja.

Como geofísico sou obrigado a acreditar que a Terra não é estática! E é verdade! Os terrenos não são sólidos e, sinto dizer, não há surpresas geológicas! A terra muda e sua estabilidade ou instabilidade depende somente do projeto de construção, cargo de geólogos, engenheiros e arquitetos.

Estou, como geofísico, lavando minhas mãos pois, no Brazil, os geofísicos não participam dos projetos construtivos... Tão pouco das execuções de obras, como deveria ser feito!

Esqueci! Políticos também participam dos projetos construtivos! E Administradoes e Economistas também... Então, no Brasil, temos mais pessoas que não entendem Nada sobre o assunto construção civil, obras de grande porte e substrato terrestre do que os que efetivamente sabem algo!

O mesmo com agricultura... Poderíamos utilizar geofísica, geologia ou a geografia juntamente com a agronomia para identificar o tipo de rocha geradora de solo e o fluxo de água subterrânea, por exemplo, identificanto as correções a serem realizadas no solo (de nutrientes e irrigação) ou classificar a melhor cultura para determinado solo, explorando melhor do que simplesmente desmatando as poucas florestas existentes! Isso se chama agricultura de precisão... Coisa que a Europa já conhece faz tempo!

Isso só pra citar alguns usos da geofísica que são totalmente ignorados no Brasil... País que quer se desenvolver e o faz do pior modo!

Para os que já argumentarão que as utilizações citadas são realizadas com métodos pouco eficazes: acredito que só a utilização pode efetivamente desenvolver o método... A 30 anos um transplante de coração era pouco eficaz, mas a medicina se desenvolveu! O mesmo com a técnologia de carros a álcool!

O Brasil está perdendo a ciência preso a métodos cronstrutivos imbecís e arcáicos, métodos agrícolas degradantes, métodos pedagógicos pouco eficientes e uma imprensa polarisada, emburrecedora, cega e idiota!

Estamos na contramão do mundo perdendo nossos físicos, meteorologistas, engenheiros de minas, pedagogos, geólogos, médicos, odontólogos, químicos...

Se perguntem: o que realmente produzimos? Suco de laranja? Petróleo? Aviões? Tecnologia bancária? Ônibus? Aço? Ou bauxita? O mais importante: O que poderíamos pruduzir?

Temos uma das maiores fábricas de aviões e nossos foguetes explodem antes de decolar!
Temos as maiores mineradoras e compramos produtos feitos fora com nosso aço.
Temos os ônibus e o transporte mais injusto e sem logística das américas (vale lembrar que mudamos os planos do metrô como se fosse a calça de nossos governadores!).
Temos engenheiros e físicos mas o projeto de ums sucata de submarino nuclear que nunca saiu...

Nos prendemos a cotas sociais e não ligamos pra qualidade do ensino... Nosprendemos a bolsas sociais e ainda temos mulheres mortas por seus companheiros, em casa... Os pais reclamam por seu filhos repetirem de ano, mas sequem sabem como é o formato da letra de seus filhos no caderno... Deixam a educação e criação de seus filhos para os professores (Oo) e depois os cobram como se fosse obrigação desses profissionais (ou seria da TV?) realizar a criação...

Mais do que plantar uma árvore... O Brasil precisa de muita conversa! Desliguem a TV e conversem com seus pais, com seus filhos, conversem sobre política e religião, mesmo que descordem, sobre sexo, drogas, rock, pop, doces de merengue e quem é o maior produtor de café do mundo... E porque de tudo isso e de como o mundo está e para onde vamos!

Desculpa por este post revoltado.

Beijos a todos,

Fred.
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quinta-feira, janeiro 12, 2006

Hum... Elefante cor de rosa... Psicodélico!!!


Inventor do LSD completa 100 anos e recebe homenagem
AE


O químico suíço Albert Hofmann, inventor da droga conhecida como LSD, completa 100 anos na quarta-feira. Ele será homenageado em um simpósio internacional, na Basiléia, Suíça, que discutirá os efeitos do uso da substância. O LSD é uma droga com efeitos alucinógenos e foi mais consumida pelo movimento hippie dos anos 60.

Boa!!!

Quem dera estar meio locão agora, sentir meus pés sairem do chão, a sensação de leveza no corpo, de borboletas no estômago, devida fluindo nas veias, brilho no olhar e voz calma... Ah! Mas isso seria outra sensação que não a de estar drogado... aliás, nem sei mais o que é sentir paixão (Ou será que ainda lembro?!) e não vejo, em minha atual condição, a possibilidade que isso se cumpra... acho que vou começar a me drogar, pois é mais fácil!

Até.
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quarta-feira, dezembro 07, 2005

A Terra esfriou mais cedo?

Novas medições sugerem que o nosso planeta pode não ter passado seus primeiros 500 milhões de anos afogado em lava. É possível que oceanos, continentes e a vida tenham surgido mais cedo.
Por John W. Valley



Manuais de geologia afirmam que nosso planeta passou seus primeiros 500 milhões de anos coberto por magma quente, mas essa tese pode estar errada. Cristais de zircônio revelam que a superfície da Terra talvez tenha esfriado bem antes, permitindo desde cedo o surgimento de oceanos, continentes e oportunidades para a origem da vida.

Um novo conceito sobre como era a Terra primordial, coberta por oceanos há 4,4 bilhões de anos, contrasta com o mundo quente e hostil normalmente representado nos livros didáticos. A Lua estava mais próxima naquele tempo, por isso parecia maior do que nos dias de hoje.

Na sua infância, que começou há cerca de 4,5 bilhões de anos,a Terra brilhava como se fosse uma estrela tênue. Oceanos incandescentes de magma alaranjado ondulavam na superfície do planeta após as freqüentes colisões com imensos meteoros, alguns do tamanho de pequenos planetas, que orbitavam o Sol recém-criado. Viajando em média a 90 mil km/h (75 vezes a velocidade do som), cada corpo impactante se incendiava na superfície da Terra, estilhaçando, derretendo e até se vaporizando no momento do contato.

Logo no início, o ferro denso afundava no magma para formar o núcleo metálico, liberando gravidade para derreter todo o planeta. Meteoritos continuaram a colidir com a Terra durante centenas de milhões de anos.

Ao mesmo tempo, no núcleo da Terra, o decaimento de elementos radioativos produzia seis vezes mais calor do que hoje. Essas condições infernais tinham de se acalmar para que as rochas derretidas se solidificassem, para que os continentes se formassem, para que a atmosfera de vapor se condensasse, e para que a primeira forma de vida pudesse evoluir. Mas, quão rapidamente a superfície da Terra esfriou? A maioria dos cientistas assume que o ambiente infernal durou 500 milhões de anos, uma era geológica batizada como Hadeana. O maior apoio para tal visão vem da ausência de rochas intactas com mais de 4 bilhões de anos - e dos primeiros sinais fossilizados de vida, que surgiram muito tempo depois.

Nos últimos anos, entretanto, geólogos - incluindo meu grupo da Universidade de Wisconsin-Madison - descobriram cristais de minério de zircônio antigos cuja composição química está mudando o conceito sobre os primórdios da Terra. As propriedades incomuns desses minerais duráveis - cada um do tamanho do ponto final desta sentença - possibilitou aos cristais preservar indícios sobre como teria sido o ambiente da Terra quando eles se formaram. Essas minúsculas cápsulas do tempo carregam evidências de que oceanos habitáveis para a vida primordial e, mesmo os continentes, poderiam ter surgido 400 milhões de anos antes do que geralmente se pensava.

Resfriamento
Desde o século XIX cientistas vêm tentando calcular quão rapidamente a Terra se resfriou, mas poucos esperavam descobrir evidências sólidas.

Embora os oceanos de magma, no início, estivessem com mais de 1.000oC, a idéia tentadora de uma Terra primitiva temperada veio de cálculos da termodinâmica. Os números indicam que a crosta poderia ter se solidificado na superfície em 10 milhões de anos. Como o planeta endureceu externamente, a fina camada de rocha solidificada teria isolado o exterior das altas temperaturas vindas do interior da Terra. Se houve períodos tranqüilos adequados entre os grandes impactos de meteoritos, se a crosta era estável, e se o efeito estufa da atmosfera não aprisionou muito calor, então as temperaturas poderiam ter caído rapidamente, abaixo do ponto de ebulição da água. Além disso, o Sol primitivo era mais fraco e deve ter contribuído com menos energia.

Para a maioria dos geólogos, entretanto, o incontestado nascimento turbulento do planeta e os poucos indícios no registro geológico parecem, contrariamente, apontar para um prolongado clima ultraquente. A rocha intacta mais antiga conhecida é a Gnaisse Acasta, de 4 bilhões de anos, no noroeste do Canadá. Essa pedra, porém, formou-se nas profundezas do planeta e não carrega nenhuma informação sobre as condições da superfície. A maioria dos cientistas assume que as condições infernais presentes na superfície do planeta devem ter obliterado qualquer rocha que se formou muito cedo. As rochas mais antigas conhecidas que se originaram sob a água (e, portanto, em ambientes relativamente mais frios) datam de 3,8 bilhões de anos atrás. Esses sedimentos, expostos em Isua, no sudoeste da Groenlândia, também contêm a evidência de vida mais antiga.

Escavações Profundas
Nos anos 1980 , os cristais de zircônio começaram a acrescentar novos dados sobre a Terra primitiva, quando uns poucos e raros grãos em Jack Hills e em Mount Narryer, no oeste da Austrália, foram reconhecidos como os materiais terrestres mais antigos - chegando a quase 4,3 bilhões de anos. Mas a informação que esses cristais carregavam parecia ambígua, em parte pelo fato de os geólogos estarem inseguros quanto à identidade da rocha matriz. Uma vez formados, os cristais de zircônio são tão duráveis que podem persistir, mesmo se a sua rocha matriz for levada à superfície e destruída por exposição ao ar e erosão. O vento ou a água podem então transportar os grãos sobreviventes por grandes distâncias antes de o mineral se incorporar a depósitos de areia e cascalho que, mais tarde, solidificam-se em rochas sedimentares. De fato, os cristais de zircônio - talvez milhares de quilômetros distantes de suas fontes - foram descobertos incrustados em um banco de cascalhos fossilizado chamado de conglomerado de Jack Hills.

Assim, a despeito do entusiasmo com a descoberta desses fragmentos primevos da Terra, a maioria dos cientistas, incluindo eu, continuou a aceitar a visão de que o clima do nosso jovem planeta era Hadeano. Foi depois de 1999 que os avanços tecnológicos permitiram novos estudos com o zircônio do oeste da Austrália, o que desafiou a tese convencional sobre a história mais antiga da Terra.

Os cristais de zircônio australianos não revelaram os seus segredos tão facilmente. Em primeiro lugar, o conglomerado de Jack Hills está isolado na fronteira de imensas fazendas de ovelhas situadas 800 km ao norte de Perth, a cidade mais isolada da Austrália. O conglomerado foi depositado três bilhões de anos atrás e marca o limite noroeste de um conjunto de formações rochosas, todas anteriores a 2,6 bilhões de anos. Para conseguir recuperar menos do que uma pitada de cristais de zircônio, coletamos centenas de quilos de rochas desses afloramentos remotos e os transportamos até nosso laboratório para triturá-los e separá-los, como se estivéssemos procurando grãos especiais na areia de uma praia.

Uma vez extraídos de sua rocha-fonte, os cristais individuais poderiam ser datados, já que os zircônios são excelentes cronômetros geológicos. Além da sua longevidade, contêm traços de urânio radioativo, que decai para chumbo a um ritmo conhecido. Quando um cristal de zircônio se forma a partir de magma solidificado, átomos dos elementos zircônio, silício e oxigênio combinam-se em proporções exatas (ZrSiO4) para criar uma estrutura cristalina exclusiva do zircônio; o urânio ocasionalmente os substitui como um traço de impureza. Átomos de chumbo, por outro lado, são muito grandes para substituir adequadamente qualquer dos elementos da composição, e por isso os cristais de zircônio nascem virtualmente livres de chumbo. O relógio urânio-chumbo começa a funcionar tão logo o zircônio se cristaliza, e a razão chumbo/urânio aumenta com a idade do cristal. Os cientistas conseguem determinar a idade de um cristal de zircônio não danificado com 1% de exatidão. No caso da Terra primitiva isso representa margem de erro de 40 milhões de anos.

A datação de partes específicas de um único cristal foi realizada pela primeira vez no início dos anos 1980, quando William Compston e colegas da Universidade Nacional Australiana em Canberra inventaram um tipo de microssonda iônica, um instrumento bastante grande que batizaram de Shrimp (sigla em inglês para microssonda iônica sensitiva de alta resolução). Embora a maioria dos cristais de zircônio seja quase invisível a olho nu, a microssonda iônica lança um raio de íons tão estreitamente focado que pode arrancar um pequeno número de átomos de qualquer alvo na superfície do cristal. Um espectrômetro de massa mede então a composição desses átomos ao comparar suas massas. Foi o grupo de Compston - trabalhando com Robert Pidgeon, Simon A. Wilde e John Baxter, da Universidade Curtin de Tecnologia, também na Austrália - que primeiro datou os zircônios de Jack Hills, em 1986.

Sabendo disso, abordei Wilde. Ele concordou em reinvestigar as datações por urânio-chumbo dos cristais de zircônio de Jack Hills como parte da tese de doutorado de William H. Peck, meu aluno, hoje professor assistente da Universidade Colgate. Em 1999, Wilde analisou 56 cristais não-datados usando uma Shrimp aprimorada na Universidade de Curtin.

Descobriu que cinco desses cristais apresentavam idade superior a 4 bilhões de anos. Para nossa grande surpresa, a idade do mais velho deles superava 4,4 bilhões de anos. Algumas amostras provenientes da Lua e de Marte têm idade similar, e os meteoritos são, geralmente, mais antigos; mas nada com essa idade tinha sido descoberto na Terra, nem mesmo se esperava descobrir. Quase todos achavam que, se esses antigos cristais de zircônio tivessem existido, a dinâmica das condições dos Hadeanos teria destruído a todos. Nem desconfiávamos que a mais excitante das descobertas ainda estava por vir.

Velhos Oceanos
Peck e eu fomos atrás dos zircônios de Wilde, do oeste da Austrália, porque estávamos de olho em uma amostra bem preservada do oxigênio mais antigo da Terra. Sabíamos que os cristais de zircônio poderiam reter evidências, não apenas de quando sua rocha hospedeira teria se formado, mas também de como isso ocorreu. Em especial, estávamos usando as proporções de diferentes isótopos de oxigênio para estimar as temperaturas dos processos que teriam levado à formação de magmas e rochas.

Os geoquímicos medem a proporção de oxigênio 18 (18O, um raro isótopo com oito prótons e dez nêutrons, que representa cerca de 0,2% de todo o oxigênio da Terra) para o oxigênio 16 (16O, o isótopo mais comum, que compreende 99,8% do total). Esses átomos são chamados de isótopos estáveis porque não sofrem decaimento radioativo e, desse modo, não mudam espontaneamente com o passar do tempo. Entretanto, a proporção de 18O e 16O incorporada dentro do cristal durante a sua formação varia de acordo com a temperatura ambiente na época em que o cristal se formou.

A razão 18O/16O é bem conhecida para o manto da Terra (a camada de 2.800 km de espessura embaixo da fina camada de 5 km a 40 km dos continentes e da crosta oceânica). Magmas que se formam no manto sempre apresentam quase a mesma proporção de isótopo de oxigênio. Por questão de simplicidade, os geoquímicos ajustam essas proporções relativas àquela da água do mar e expressam-na naquilo que é chamado de notação delta (?). O ?18O do oceano é 0 por definição, e o ?18O do zircônio do manto é 5,3, o que significa que tem uma razão 18O/16O maior que a da água do mar.

Por isso Peck e eu esperávamos descobrir um valor de 5,3 para o manto primitivo, quando levamos os cristais de zircônio de Jack Hills analisados por Wilde, incluindo os cinco mais antigos, até a Universidade de Edimburgo, naquele mesmo verão. Lá, John Craven e Colin Graham nos auxiliaram a usar um tipo diferente de microssonda iônica, especialmente projetada para medir as proporções do isótopo de oxigênio. Havíamos trabalhado juntos muitas vezes nas décadas precedentes, para aperfeiçoar a técnica e poder analisar amostras um milhão de vezes menores do que aquelas analisadas no meu laboratório em Wisconsin.

Após 11 dias de análises ininterruptas e poucas horas de sono, completamos as medições e descobrimos que as nossas predições estavam erradas. Os valores ?18O do zircônio eram superiores a 7,4.

Ficamos atordoados. O que poderia significar essa alta proporção isotópica? Nas rochas mais jovens a resposta seria óbvia, porque amostras assim são comuns. Um cenário previsível é o de que as rochas a baixas temperaturas na superfície da Terra podem adquirir tal característica se interagirem quimicamente com água de chuva ou do oceano. As rochas com alto 1?8O, quando soterradas e fundidas, formam o magma que retém esse alto valor, que é então passado aos zircônios durante a cristalização. Desse modo, a água líquida e as baixas temperaturas são necessárias na superfície da Terra para formar zircônios e magmas com altos ?18O; não se conhece nenhum outro processo que resulte nisso.

A descoberta de altas proporções de isótopos de oxigênio nos zircônios do conglomerado de Jack Hills significa que provavelmente já existia água líquida sobre a superfície da Terra pelo menos 400 milhões de anos antes das rochas sedimentares conhecidas mais antigas, da Groenlândia. Se correto, é provável que já houvesse oceanos inteiros naquele tempo, tornando o clima primitivo da Terra mais parecido com uma sauna do que com uma bola de fogo Hadeana.

Vestígios Continentais
Poderíamos basear conclusões tão importantes sobre a história da Terra em uns raros e diminutos cristais? Protelamos a publicação de nossas descobertas por mais de um ano para reexaminar as análises. Enquanto isso, outros grupos conduziam suas próprias pesquisas em Jack Hills.

Steven Mojzsis, da Universidade do Colorado, e colegas da Universidade da Califórnia em Los Angeles confirmaram nossos resultados, e todos publicamos estudos em 2001 descrevendo as descobertas.

As possíveis implicações dos achados acerca do zircônio propagaram entusiasmo no meio científico. Na violência superaquecida de um mundo Hadeano, nenhuma amostra teria sobrevivido para que os geólogos pudessem estudá-la. Mas esses cristais de zircônio indicavam um mundo mais ameno e familiar, além de fornecer meios para esclarecer os seus segredos. Se o clima da Terra era frio o bastante para que existissem oceanos de água logo no começo, então talvez os cristais de zircônio pudessem nos revelar se os continentes e outros aspectos da Terra moderna já existiam também naquele tempo. Para tanto, tínhamos de olhar mais fundo nos cristais.

Mesmo o menor dos cristais de zircônio contém outros materiais encapsulados. Esse conteúdo, bem como o padrão de crescimento dos cristais e a composição das impurezas, podem revelar muito sobre o local de origem do zircônio. Quando Peck e eu estudamos cristais de 4,4 bilhões de anos, por exemplo, descobrimos que continham partes de outros minerais, inclusive quartzo. Isso nos causou surpresa, já que o quartzo é raro nas rochas primitivas e provavelmente não existia na primeira crosta que se formou sobre a Terra. A maior parte do quartzo vem de rochas graníticas, comuns em crosta continental que se formou posteriormente.

Se os cristais de zircônio do conglomerado de Jack Hill vieram de uma rocha granítica, tal evidência daria suporte à hipótese de que são amostras do primeiro continente criado no mundo. Mas é preciso ter cautela, pois uma pequena quantidade de quartzo pode se formar nos últimos estágios da cristalização do magma, mesmo se a rocha matriz não for granítica. Por exemplo, cristais de zircônio e uns poucos grãos de quartzo foram descobertos na Lua, onde nunca surgiu uma crosta granítica do tipo continental. Causaria surpresa a alguns cientistas se os cristais de zircônio mais antigos da Terra tivessem se formado num ambiente parecido com o da Lua primitiva ou, então, por algum outro meio que hoje já não é mais comum, como o impacto de meteoritos gigantes ou vulcanismo profundo. Até agora, porém, não descobrimos evidências convincentes para essas hipóteses.

Há indícios, contudo, a favor da crosta continental nos elementos-traço (aqueles que substituem o zircônio em níveis abaixo de 1%). Os cristais do conglomerado de Jack Hills têm elevada concentração desses elementos, bem como padrões de európio e cério que são mais comumentes formados durante a cristalização da crosta, o que significa que os zircônios foram constituídos próximos à superfície da Terra e não no manto. Além disso, as proporções dos isótopos radioativos de neodímio e háfnio - dois elementos usados para determinar o tempo dos eventos de criação da crosta continental - sugerem que partes significativas da crosta continental formaram-se já há 4,4 bilhões de anos.

A distribuição dos cristais de zircônio antigos nos forneceu evidências adicionais. A proporção de cristais de zircônio com mais de 4 bilhões de anos excede 10% em algumas amostras do conglomerado de Jack Hills. Além disso, sua superfície está altamente desgastada, e as faces originalmente angulosas estão arredondadas, sugerindo que os cristais foram impelidos para longe de sua rocha originária. Como puderam viajar centenas ou milhares de quilômetros, em forma de areia levada pelo vento, e ainda assim se concentrar em um mesmo local, a menos que houvesse uma grande quantidade deles? Como escaparam de ser soterrados e fundidos no calor do manto a menos que uma fina crosta de tipo continental fosse estável o bastante para preservá-los? Essas descobertas implicam que os cristais de zircônio já foram abundantes e se originaram em uma região ampla, possivelmente uma massa de terra continental. Se foi assim, é provável que as rochas daquele tempo ainda existam; uma perspectiva entusiasmante, pois seria possível aprender muito com uma rocha intacta dessa idade.

Além do mais, a distribuição por idade dos zircônios antigos é desigual. As datações se aglomeram em certos períodos de tempo, e nenhum cristal de outras eras foi descoberto. Meu ex-aluno de graduação Aaron J. Cavosie, hoje professor assistente da Universidade de Porto Rico, descobriu tal evidência mesmo em zircônios de zona única, nos quais o núcleo se formou mais cedo, há cerca de 4,3 bilhões, com crescimento circundante posterior, entre 3,3 bilhões e 3,7 bilhões de anos atrás. Na borda, o zircônio é mais jovem do que no núcleo, já que os cristais crescem concentricamente pela adição de material aos grãos que estão na parte mais externa. Mas a grande diferença etária, com lapsos de tempo, entre os centros e as bordas desses cristais de zircônio indica que dois eventos distintos ocorreram, separados por um intervalo maior. Nos cristais de zircônio mais jovens, fáceis de obter, esse tipo de relação etária do centro para a borda resulta dos processos tectônicos que derretem a crosta continental e reciclam os cristais que estão no seu interior. Muitos cientistas tentam testar se condições similares produziram os antigos cristais de zircônio do conglomerado de Jack Hills.

Mais recentemente, E. Bruce Watson, do Instituto Politécnico Rensselaer, e Mark Harrison, da Universidade Nacional Australiana, relataram níveis de titânio menores do que o esperado nesses antigos cristais de zircônio, sugerindo que a temperatura de seu magma original deve ter sido de entre 800oC e 650oC. Essa temperatura baixa seria possível somente se as rochas-matriz fossem graníticas; a maioria das rochas não-graníticas derrete a altas temperaturas, e assim os seus zircônios deveriam conter mais titânio.

Um Zircônio é para Sempre
Desde que meus colegas e eu analisamos as proporções de isótopos de oxigênio naqueles cinco cristais de zircônio de Jack Hills, em 1999, os dados que sustentam nossas conclusões aumentaram rapidamente. Investigadores em Perth, Canberra, Pequim, Los Angeles, Edimburgo, Estocolmo e Nancy estão analisando dezenas de milhares de cristais de zircônio de Jack Hills com o auxílio de microssondas iônicas e outras técnicas de datação, em busca de amostras com mais de 4 bilhões de anos.

Centenas de cristais de zircônio recentemente descobertos vieram de várias localidades com idade entre 4 bilhões e 4,4 bilhões de anos. Alguns foram achados 300 km ao sul do conglomerado de Jack Hills. Geoquímicos examinam outras antigas regiões da Terra, na esperança de descobrir os primeiros cristais de zircônio anteriores a 4,1 bilhões de anos fora da Austrália.

A intensificação das buscas está estimulando o aperfeiçoamento das tecnologias. Cavosie obteve análises com mais exatidão e identificou mais de 20 cristais de zircônio do conglomerado de Jack Hills com alta proporção de isótopos de oxigênio, o que indica temperaturas mais frias na superfície e a presença de oceanos há 4,2 bilhões de anos. Meus colegas e eu continuamos as buscas, com o auxílio do primeiro modelo da mais nova geração de microssonda iônica, a Cameca IMS-128, instalada no meu laboratório em março passado.

Muitas questões serão respondidas se pedaços das rochas originais que formam os cristais de zircônio puderem ser identificados. Mas, mesmo que isso não ocorra, ainda temos muito o que aprender com essas minúsculas cápsulas do tempo.



Cápsulas do Tempo
Por muito tempo, geólogos pensaram que as condições hostis presentes no nascimento do nosso planeta, 4,5 bilhões de anos atrás, deram lugar a um clima mais ameno há cerca de 3,8 bilhões de anos.

Hoje, pequenos cristais de zircônio, que retêm evidências claras de quando e como foram formados, sugerem que a Terra esfriou muito mais cedo, talvez há 4,4 bilhões de anos.

Alguns cristais de zircônio mais antigos apresentam composições químicas herdadas de ambientes mais frios e úmidos, como os necessários para a evolução da vida.



O autor
John W. Valley completou o doutorado em 1980 pela Universidade de Michigan em Ann Arbor, onde começou a se interessar pela Terra em seu estado primitivo. Ele e seus alunos passaram a explorar o registro das rochas mais antigas por toda a América do Norte e Austrália, Groenlândia e Escócia. Hoje, Valley é presidente da Sociedade Mineralógica da América e professor de geologia da Universidade de Wisconsin-Madison, onde fundou o sofisticado laboratório WiscSIMS.



Para conhecer mais
A cool early Earth. John W. Valley, William H. Peck, Elizabeth M. King e Simon A. Wilde, em Geology, vol. 30, no 4, págs. 351-354, abril de 2002.

Magmatic d18O in 4400-3900 Ma detrital zircons: a record of the alteration and recycling of crust in the early Archean. Aaron. J. Cavosie, J. W. Valley, S. A. Wilde e the Edinburgh Ion Microprobe Facility, em Earth and Planetary Science Letters, vol. 235, no 3, págs. 663-681, 15 de julho de 2005.

O website do autor, "Zircons are forever" está no endereço www.geology.wisc.edu/zircon/zircon-home.html
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sexta-feira, novembro 04, 2005

Fireballs!!!


Então eu leio isto no UOL: Bolas de fogo sobre a Alemanha geram especulação de Ovnis.

Mas calma... calma... não é o final do mundo! Tudo pode ser explicado olhando o SpaceWeather.com, nisso já obtemos uma resposta satisfatória.

Centenas de milhares desses corpos caem em nosso planeta todos os dias... mas em algumas épocas são mais intensos devido a proximidade de corpos maiores ou perturbações causadas pela complexidade dos campos gavitacionais que regem o nossos sistema solar...

Quem tiver curiosidade pode dar uma olhadinha nas Efemérides Astronômicas para este ano (Eu já havia postado as efemérides do Observatório Nacional no começo do ano, mas agora só achei um link para um site português! Se quiser a do ON procura o arquivo aqui do lado, vai... ;) Hehehe...)!

Até.
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domingo, outubro 23, 2005

Referendo

Passada esta obrigação de votar... agora é só esperar o show...


O próximo referendo será o seguinte: A venda de PÃO deverá ser proibida no Brasil??


Leia a séria pesquisa abaixo:

Pesquisas Sobre O Pão Indicam Que:

1. 100% dos consumidores de pão acabam MORTOS.

2. 98,3% dos presidiários que cumprem pena por crimes violentos, são usuários de pão.

3. 85,2% de todos os alunos do ensino médio que obtém resultados insatisfatórios nas provas, consomem pão diariamente.

4. No século XVIII, quando todo o pão era preparado nas próprias residências, a expectativa de vida média era de menos de 50 anos. As taxas de mortalidade infantil eram absurdamente elevadas, muitas mulheres morreram no parto e doenças tais como a febres, tifóide, amarela, e surtos de gripe dizimaram cidades inteiras.

5. 92,7% dos crimes violentos são cometidos dentro de 24 horas depois da ingestão de pão.

6. O pão é feito basicamente de farinha de trigo. Está provado que menos de 500 gramas de farinha de trigo são suficientes para sufocar um rato. O indivíduo médio, que consome em média dois pães de cinqüenta gramas por dia, terá ingerido no final do mês farinha suficiente para ter matado seis ratos.

7. Sociedades tribais primitivas que não fazem uso do pão, apresentam baixa incidência, de câncer, do Mal de Alzheimer, de Parkinson e da osteoporose.

8. Está provado estatística e cientificamente que o uso do pão, causa dependência física e mental. Pesquisa feita em voluntários, revelou que 99,8% daqueles que foram submetidos a uma dieta forçada somente à base de água, imploraram por pão, em três dias ou menos.

9. O pão é um alimento freqüentemente utilizado em conjunto com outros alimentos pesados e prejudiciais à saúde, tais como a manteiga, queijo, geléia e aos embutidos ricos em gorduras e colesterol.

10. Testes científicos comprovaram que o pão absorve a água. Partindo do princípio que o mais 90 % corpo humano é água, todo aquele que ingere pão, corre o risco de sofrer desidratação grave.

11. O pão é assado em fornos cujas temperaturas são mantidas acima de 200º Celsius. Essa temperatura pode matar um indivíduo adulto em menos de um minuto.

12. 58% dos indivíduos que consomem pão, são totalmente incapazes de distinguir entre fatos científicos comprovadamente significativos e baboseiras estatísticas sem sentido e manipuladas, como essa.

Até.
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sábado, julho 06, 2002

Coisinha...

Uma coisinha para vocês verem... (ou melhor, clicarem)...

Ordem de Grandeza

Até.
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segunda-feira, abril 29, 2002

COMO NASCE UM PARADIGMA

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas.

Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.

A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

"Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."

"MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO".
Albert Einstein


Até.
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segunda-feira, abril 22, 2002

Domingo de Feriado

Pow,

Não vou deixar aquela mensagenzinha de má sorte me derrubar... onde já se viu... por isso que eu prefiro o horóscopo, ele nunca diz coisas ruins...

^^

E ontem quando estava trabalhando (até agora não acredito que fui trabalhar em pleno um domingo de feriado). Tivemos duas escolas vizitando o "Museo de Ciências" (já imaginaram, duas escolas num domingo de feriado) só que uma escola estava marcada e outra não (foram vizitantes espontâneos, apesar de mais de 30 pessoas) aí minha surpervisora me chamou:

- Fred, dá para você e o Roberto pegarem estas duas turmas?
- É uma escola?
(Pow! mais trabalho, ainda mais hoje que o "museo" está cheio e é domingo e feriado)
- É que o professor deles parece que pediu um trabalho sobre algum experimento que nós temos na área da física, dá para vocês dois apresentarem a área para eles e depois eles escolhem o que acharem melhor.
- Nossa, Chris! Os alunos se organizaram para vir aqui, ainda mais num domingo de feriado?
- É, para você ver...

Então apresentamos os recados que damos a todos os grupos antes de entrar no "Museo" e eles entraram... (Por Murph, peguei o grupo mais chato)

Como a área da Física estava um pouco cheia, resolvi mandar eles num local onde quase sempre está vazio, a Termo (Não que a Termo não seja uma das áreas da Física, mas... é bem mais vazia) O monitor que estava lá apresentou rapidinho o que deveria apresentar e, então, fui apresentar a "Bobina de Tesla" apresentei tranquilo (exceto pelas brincadeirinhas bobas do pessoal ... Mas dei choque neles HAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!).
Até aí tudo bem... depois apresentei o "Gerador de Van de Graaff" e todos os outros equipamentos até que algumas meninas me pergutaram:

- O que é aquilo?
- Ah! Aquilo? É um painel contando a história do Universo (Noto alguns olhares de desgosto e outros do tipo: "mais tranqueira vem aí"), vocês querem que eu explique?
- Sim... (Foi um sim tão chocho que decidi torturá-los)


Comecei a explicar o principio do Universo até que, quando estava na parte da "sopa cósmica", um dos garotos me interrompeu:
- Me desculpe mas eu não vou ficar escutando isso!
- Ok, você pode ir então, não estou obrigando ninguém a ficar aqui, vai do seu livre-arbítrio. Mais alguém?
(Maldito!)
Retomei a explicação... passei pelo começo das galáxias, falei das estrelas e da morte delas, disse de uma galáxia em especial, a Via Láctea, e dos sistemas solares que a compõem... Disse sobre o princípio de um sistema solar em especial, o nosso sistema solar, do sol e dos planetas e sobre um em especial, o nosso, único com vida formada.
(Conforme eu contava via nos olhos do pessoal que eles não acreditavam [e nem faziam questão de acreditar] no que eu contava)
Disse que no princípio a Terra era quente e ácida e que uma das moléculas de ácido em especial, o ácido desoxirribonucléico, "principiou" a vida pois este vivia da síntese de outros ácidos e foram se juntando em partículas maiores e formando seres, estes serem foram, primeiramente vegetais e posteriormente criaram animais, etc, etc, etc...
Depois contei sobre uma espécie animal em especial, os primatas, e sua evolução até o Homem Moderno (que é apresentado lá por um astronauta), nisso uma das meninas me interrompe e diz:
- Desculpa te interromper mas, e Deus?
- O que tem Deus?
- Ele não participa de nada?
- Não, este painel conta a história do Universo segundo algumas teorias científicas, estas não tem a participação de deus.
- Por que os cientistas costumam separar deus da ciência?
(eu, já sacando o que ela tava querendo (e as outras também, pelos olhares) já ataquei)
- Não que eles separem, ao contrário, muitos cientistas crêem em deus, etc, mas normalmente as teorias são fundadas em coisas sólidas, que são observadas no dia a dia...
- Sei.
Eu me apoiei no tablado do painel:
- Me desculpe se eu vou ofender alguém agora.
- Pode dizer.
- Mas... na minha concepção, sua religião é o que você crê. Se os cientistas crêem nessa teoria, isso é a religião deles, e digo mais, cada religião tem a sua teoria cosmogônica, os índios tem uma teoria cosmogônica, os árabes tem outra teoria cosmogônica, os incas tinham outra teoria, os egípcos outra, a blíblia tem outra teoria cosmogônica, vai da sua fé qual delas você deve acreditar, como eu disse para seu amigo: "você tem livre-arbítrio, eu não seguro ninguém aqui", vocês me disseram que eu poderia explicar o painel e nesse painel nós contamos o que os cientistas crêem... lógicamente eu contei por cima e você podem encontrar isso muito melhor exemplificado nos livros.

Pow...

Disse também que muitos cientistas acreditam em deus, etc... que até os matemáticos acreditam em deus e podem explicá-lo por teoria de conjuntos e alguns teoremas básicos... etc...

Mas o que me deixou puto mesmo foi a falta de educação do cara...
"- Me desculpe mas eu não vou ficar escutando isso!"
Não vou ficar escutando isso num domingo de feriado! Eles me pedem para explicar e eu tenho que levar as pancadas, além disso, se ele queria aparecer, que colocasse uma melancia na cabeça como todos fazem...

^^

:P

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